A autora inglesa Beth O’leary traz uma novidade em sua nova história de Natal que desembarca no Brasil, “Um Amor Cinco Estrelas” (Intrínseca). Para construir Lucas da Silva, um carioca de Niterói, rabugento e com problemas familiares, ela contou com a ajuda da brasileira Helena Mayrink, editora-assistente da editora.
Lucas, o protagonista é diferente daquilo que os leitores estrangeiros esperariam de um personagem brasileiro. O niteroiense radicado no sul da Inglaterra não é um exímio dançarino, não se comporta como o típico latin lover e, na maior parte do tempo, se mostra como um sujeito reservado (na verdade, até um pouco ranzinza). Seu traço brasileiro mais reconhecível é a saudade — inclusive, tem a palavra tatuada no peito, mesmo sem “fazer o tipo tatuado”.
Há algo muito reconfortante em ler um livro que é um lugar seguro em que não se vai sofrer grandes abalos. A experiência de ler uma comédia romântica é como a de receber um abraço, você sabe que tudo vai ficar bem no final. Isso é muito atraente em tempos difíceis. Também acho que há um tipo de movimento de jovens leitores mais abertos à leitura de romances.
Não faz muito tempo que isso era algo que as pessoas escondiam em suas mesas de cabeceira, definindo como guilty pleasure [prazer culposo, em português]. Por que não podemos nos dar alegria e escapismo apenas para o nosso próprio bem e pela diversão? É incrível ver pessoas defendendo o romance hoje.
O que não pode faltar em uma boa trama de romance são personagens amáveis, mas, na verdade, seriam pessoas reais, por quem vamos nos apaixonar, torcer, e perdoar suas falhas, porque somos todo imperfeitos. Também precisa ter aquela química forte, já que o que te move pelas páginas é querer chegar no “felizes para sempre”.
Ajuda muito ter um conceito que possa ser resumido em uma linha, ou seja, a premissa da história não deve ser tão difícil de encapsular e deve ser empolgante. São tramas assim que te fazem saltar os olhos e escolher dar uma chance para o livro.