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RECURSÃO

Revisitamos esse mês “Recursão” uma história eletrizante sobre memória e segundas chances. Barry Sutton, um policial marcado pela morte da filha, cruza o caminho de uma mulher que acredita viver memórias de uma vida que nunca existiu. Enquanto isso, a neurocientista Helena Smith, cria uma tecnologia capaz de mudar o rumo do passado. Uma história surpreendente sobre como nossas memórias moldam quem somos — e o que acontece quando tudo isso pode ser apagado ou reescrito.

BREVE SINOPSE:

Barry Sutton é policial em Nova York e convive com a tristeza da morte da filha. Ao ser acionado para intervir em uma tentativa de suicídio, ele se depara com uma mulher que sofre da Síndrome da Falsa Memória, uma doença misteriosa que planta na cabeça de suas vítimas lembranças de vidas que elas nunca tiveram.

ENTREVISTA COM O AUTOR:

“Escritor de ficção científica Blake Crouch diz que pandemia do coronavírus dá uma ideia do que é viver distopia”

O escritor Blake Crouch está acostumado a imaginar mundos em que as regras de sempre não valem mais, onde há possibilidades fantásticas e também cenários apocalípticos. Isso não o preparou, no entanto, para o choque provocado pelo aparecimento do novo coronavírus. "Mais do que qualquer coisa, eu me sinto abalado ao viver dentro desta crise, ao viver essa montanha-russa emocional", .

"Acho que não saber como se ajustar ao cenário que se formou [com a pandemia] é, até agora, o mais difícil. Escrevi sobre vários personagens que vivem tempos extraordinários. Tem um pouco de fascinante vivenciar emoções que poderiam ser de um deles."

As impressões sobre a atual crise mundial guardam semelhança com o que experimentam os personagens de suas duas últimas obras, "Matéria escura" e "Recursão". Os protagonistas dos dois livros têm em comum o fato de serem arremessados para versões diferentes de suas próprias vidas.

Os dois títulos foram sucessos que aumentaram o cacife de Crouch como um dos nomes de destaque da ficção científica atual, ao abordar ciência em ritmo de thriller. "Matéria escura" bebe nas possibilidades da física quântica e "Recursão" imagina a memória como um caminho para voltar no tempo e refazer, literalmente, a vida.

Além de lidar com problemas científicos complexos, seus personagens atravessam narrativas em que revisitam traumas pessoais e encaram recomeços. "Acho que esse aspecto é tão importante, se não mais, do que a parte de tentar incursões na ciência de forma séria."

Crouch também costuma construir "cliffhangers" (expectativa para o que vai acontecer depois na narrativa), que chamaram a atenção de Shonda Rhimes ("How to get away with murder") e de Matt Reeves (o diretor do próximo Batman). Os dois vão trabalhar na versão para as telas de "Recursão".

Fascínio e terror

O escritor norte-americano, de 41 anos, vê com um misto de fascínio e terror as descobertas científicas anunciadas e o avanço rápido da tecnologia nos dias de hoje.

"Com a divisão do átomo e a ameaça existencial com o desenvolvimento de superinteligências, a humanidade atingiu um ponto de sua evolução em que consegue criar tecnologias com o potencial de nos guiar a uma nova fase do nosso progresso ou nos aniquilar totalmente. Descobrir qual caminho vamos escolher, e por que, é na minha opinião a questão mais urgente do nosso tempo."

Permaneço otimista. A luta no mundo não será sobre o bem contra o mal, e sim sobre mente aberta versus medo"​

Um dos personagens principais de "Recursão" é um empreendedor ambicioso que quer desenvolver uma máquina para localizar memórias. Crouch nega que o CEO da Tesla, Elon Musk, tenha sido a inspiração. "Não ele em particular, mas sim magnatas da tecnologia em geral", diz o escritor, sem convencer muito.

"Há algo temeroso em bilionários com QIs robustos brincando com tecnologias poderosas e inimagináveis só porque têm dinheiro e meios para isso. Nesse ponto da nossa evolução, a humanidade parece ter uma crise de identidade, que tem uma questão central."

Nós somos criações ou criadores? Ou ambos? Não é dizer que Elon Musk não possa ser a força motriz por trás de um grande avanço para a humanidade, algo que nos leve à próxima fase de nossa existência - seja lá o que isso for. Mas essa força-motriz precisa de ter altas doses de humildade, cautela e sabedoria"

Os problemas de voltar no tempo

"Recursão" imagina o dilema ético de voltar no tempo (por exemplo, uma semana ou horas atrás), ter o poder de evitar tragédias, mas provocar uma espécie de "efeito borboleta" que desarranja todo o resto. "O mais importante a considerar nessa questão", diz Crouch, ao se colocar no problema dos seus protagonistas, "é o impacto de consequências não desejadas".

"Por mais que gostaríamos de mudar elementos horríveis do nosso passado para tornar o nosso presente um lugar melhor, a lógica da realidade não funciona assim. Se você puxa um fio, mesmo com a melhor das intenções, é impossível assegurar que você não estará levando essa linha temporal para um cenário bem mais terrível depois."

O projeto desenvolvido por Rhimes e Reeves para a Netflix se estrutura primeiro com um filme que depois se desdobra em uma série. O desdobramento dela será justamente feito das múltiplas linhas do tempo a partir do que acontece no filme.

Crouch, no espírito de sua ética da volta no tempo, diz que prefere não interferir no projeto. "Vou deixar Shonda e Matt decidirem o caminho da adaptação. Está em boas mãos."

CURIOSIDADES DO LIVRO:

- Se você gosta de séries como Black Mirror, Dark e Loki, Recursão vai ser um prato cheio.

- Com muitas influências da filosofia, psicologia, e claro, da ciência, Recursão vai te fazer questionar sobre o tempo, a memória, a realidade, tecnologia e a vida como um todo.

- As narrativas dos personagens vão se colidir e você não vai conseguir parar de ler até entender tudo o que está acontecendo.

- O autor escreve ficção científica de uma maneira descomplicada e te faz imaginar com detalhes uma grande obra cinematográfica.

Para te manter ainda mais no clima, separamos mais uma PLAYLIST para embalar sua leitura:

Boa jornada!♥️

Fontes:

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